A IGREJA PÓS-MODERNA/ O NOVO MODELO DE PASTOR
A influência dos perigos e desafios da
pós-modernidade pode ser vislumbrada facilmente na vida da Igreja e de seus
lideres, para muitos hoje não basta ser pastor, daí surgem figuras deturpadas
de liderança eclesiástica, é o novo modelo do ‘‘ Bispo’’ e até mesmo ‘‘Apostolo’’,
não desprezando inteiramente estes títulos, mas sim a sua aplicação em nossos
dias, sendo que assim na maioria dos casos a figura do líder torna-se mais
evidente que a figura do centro de toda a igreja, JESUS. Muitas igrejas
evangélicas, consciente ou inconscientemente, têm até mesmo adotado modelos
eclesiásticos e pastorais que carregam em si a marca clara do mundo
pós-moderno, especialmente no que se refere à teatralização, à dominação e à
comercialização da religião, como se fora um artigo cultural qualquer.
Relacionamos este modelo eclesiológico com a
atividade pastoral. Assim, demonstramos que a cultura massificada pela
televisão tem tornado a sociedade pós-moderna na “sociedade do espetáculo”. Por
esta causa, o ministério pastoral tem se desenvolvido cada vez mais em grandes
eventos, que só contribuem para aumentar o sentimento de desamparo e solidão do
povo. Nesse novo modelo de igreja, até o culto toma uma nova conotação.
Os novos gostos litúrgicos, nas igrejas, atraem a
seduzem multidões. A imagem apaixona, o espetáculo seduz mentes, corações e
corpos, e imperceptivelmente a igreja se transforma em um imenso teatro
coletivo; o culto converte-se em arrebatadora performance das coisas que se
deveriam esperar. Realidades escatológicas são temporalizadas, capturadas nas
agradáveis sensações da confusa presença do sagrado no extasiante consumo dos
novos cânticos, novos ritmos, novos gestos, novas palavras de ordem, novos
ritos, novos modelos de pastores, meios sempre novos para se “performar” os
mesmos e velhos ritos da celebração cristã. “Bispos e Apóstolos” deixam
evidente no ‘‘palco’’ que a Mensagem da Cruz não é mais suficiente para
transformar corações.
É por isto que, ao invés de centralizar-se na
proclamação da Palavra de Deus, o culto evangélico tem tido o seu foco sobre
manifestações visíveis da espiritualidade. Assim, a primeira tarefa pastoral
que propomos é o cuidado com estas seduções da imagem e do espetáculo, não
aceitando o papel que a pós-modernidade tem dado aos líderes religiosos.
